Meu Primeiro dia na Irlanda

Numa manhã de quinta-feira às 6:40 o despertador toca, levanto para o meu primeiro dia na Irlanda, tomo café ponho minha roupa às 7:30 desço a Parnell Street sentido O’Connel Street, olho para as pessoas na rua, vejo um casal que se despede e tomam sentidos opostos, talvez vão para o seus respectivos trabalhos. Ando mais alguns metros e cruzo uma moça oriental com um carrinho de bebê toda atabalhoada, dou um sorriso sem resposta, nada fora do normal orientais as vezes são bem fechados.

Chego na O’Connel Street uma das principais ruas, olho para o The Spire aquela estrutura metálica no meio da cidade sempre contrastando com toda aquela arquitetura antiga, numa manhã relativamente quente com seus 14 graus sigo para meu destino. Observo algumas pessoas se arriscando com menos casacos, penso “realmente começou a primavera”. Cruzo o rio Liffey e sempre olho para o prédio da Heineken que sempre me passa uma mensagem ousada e desafiadora estar justamente no meio da terra da Guinness.

Às 7:50 chego ao meu destino o prédio da imigração Irlandesa. Sim! “Hoje é o dia” de tirar meu visto de estudante, a fila já contornava o quarteirão quase com uma volta completa, vou caminhando tentando achar o final da fila e começo a escutar vários idiomas russo, português e espanhol. Olho para toda aquela turma bem compactada tentando fugir do vento frio. Às 8:00 a fila começa a andar, cada vez mais ansioso.

Após 40 minutos pego minha senha de número 171, com um leve sorriso me dou conta que algumas piadas só fazem sentidos em locais específicos nesse caso, para nós brasileiros. O atendente confere meus documentos e pede para voltar às 14:00 da tarde.

number 171

Vou para escola mas foi quase possível estudar, tento me concentrar mas só tenho cabeça para resolver a questão do meu visto. Os minutos vão se arrastando, uma hora minha classmate começa a brincar perguntando se eu não tinha dormido na noite anterior, respondo que vou resolver uma questão que já estava incomodando a algum tempo. Não aguento a aula terminar peço para sair meia hora antes da aula terminar sigo pra casa para almoçar antes de voltar na imigração.

Pego um cartão de débito com meu amigo Caio para pagar o meu visto, já que ainda não tenho conta no banco. Caio também me ajudou a comprovar os 3mil euros um processo meio complicado aqui na Irlanda que tinha falado no post anterior (consegui comprovar o valor depositando na conta do Caio e retirando um Bank Draft). Com o cartão em mãos, sigo para a imigração chegando lá a fila já estava no número 151. Trinta minutos depois minha senha é chamada e um atendente simpático pede os documentos necessários e o pagamento do visto no valor de 300 euros, lembrar que este valor só pode ser pago com cartão de débito irlandês. Tiro minhas digitais e sou avisado que tenho que aguardar o meu GNIB (o Visto de estudante). Às 18h saio do prédio da imigração com minha carteirinha e menos 100 quilos das minhas costas.

Que não acompanhou os posts anteriores, já estou na Irlanda a mais de um mês e durante esse tempo os bancos e governo mudaram as regras para abrir conta em banco, isso acabou prejudicando os estudantes que chegam no país sem nenhum comprovante de residência, foi mais de um mês tentando, entender as novas regras, varias tentativas de abrir uma conta no banco e achar uma alternativa para tirar o GNIB. As regras para estudantes na Irlanda estão ficando cada vez mais restritas, mas essa nova regra tinha relação com os problemas de lavagem de dinheiro. A solução veio por conta própria, a agência Global não ajudou em nada, a escola ATC também bem perdida pouco se mexeu para dar uma solução.

A sensação de quando peguei o GNIB foi que a minha viagem tinha começado naquele momento. Resolvido essa questão poderia apenas me preocupar com os estudos, pegar um emprego part-time, poderia viajar para qualquer lugar e garantir minha estadia por 8 meses. Após sair da imigração, fui encontrar meus classmates em um pub muito legal chamado The Breazen Head, conversando com meus colegas todos tinham a mesma sensação da experiência do antes e depois do GNIB. Assim a noite terminou com muitas gargalhadas, pints e músicas.

pup

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