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Do Playground ao “My WordPress”: A história por trás do novo hub pessoal oficial do WP

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Se você acompanha as notícias da nossa comunidade, provavelmente já viu o grande anúncio desta semana. Divulgado pelo Matt [Mullenweg] e coberto por diversos portais especializados, o lançamento do My WordPress oficializou um novo capítulo na forma como interagimos com a plataforma.

Uma instância privada do WordPress que funciona localmente diretamente no navegador. Acho que já ouviu isso antes: o WordPress Playground tem comportamento similar, mas o My WordPress, em sua essência, tem persistência de dados local.

Mas como chegamos até aqui? Hoje, quero compartilhar um pouco da história dos bastidores e de como uma série de experimentos se transformou em um novo produto oficial.

O primeiro passo no Playground

Tudo começou por volta de outubro de 2025, quando iniciei alguns experimentos com o WordPress Playground. Naquela época, minha ideia inicial era criar um banco de dados local.

Eu queria uma solução com a qual pudesse gerenciar todo o conteúdo que criava e concentrar as informações dos meus projetos em um único lugar, facilitando o monitoramento de alterações e a criação de novos conteúdos.

A semente estava plantada, mas a ideia adotou uma forma totalmente nova após uma viagem.

A conexão brasileira e a virada de chave

No final do ano, tive a oportunidade de ir ao Brasil. Durante a viagem, participei de alguns meetups e conversei bastante com desenvolvedores locais. Um dos grandes tópicos dessas conversas foi o TeleX, um dos lançamentos da Automattic que permitia a qualquer usuário desenvolver blocos inteligentes e personalizáveis através de prompts.

Foi observando o uso dessa ferramenta que notei um comportamento fascinante: os desenvolvedores não estavam criando apenas blocos para sites públicos. Havia uma forte tendência à criação de blocos utilitários e de uso pessoal. E isso foi confirmado em um hackathon realizado no WordCamp Brasil. Onde vários dos projetos aplicados apresentavam o mesmo comportamento.

As pessoas estavam criando timers para a técnica Pomodoro, pequenos jogos nativos no editor de blocos, geradores de certificados e até de invoices (faturas).

E o detalhe mais importante: esses recursos rodavam localmente. Eles não precisavam de hospedagem ou de serem publicados na web; serviam apenas para interagir com o conteúdo do próprio usuário no seu ambiente de trabalho.

Alex Kirk a mente por trás do my wordpress

Com a clareza de que o WordPress poderia ser usado como um ecossistema de ferramentas pessoais, uma limitação ficou evidente: os dados precisavam ser armazenados.

Foi nesse momento que as ideias se cruzaram com as do Alex Kirk. Em nossas conversas, Alex compartilhou que já tinha o desejo de implementar uma versão do Playground em que os dados sejam persistidos localmente.

Na verdade, esse já era um pedido antigo da própria comunidade: um Playground padrão, que gravasse as informações e não permitisse que o trabalho fosse perdido ao fechar a aba.

Alex comprou a ideia e começou a prototipar. No repositório do Playground, criamos o projeto que inicialmente chamamos de Personal WP.

Começamos a iterar e a criar casos de uso reais para mostrar o potencial da ferramenta:

  • O uso do Alex: Ele criou um blog pessoal focado apenas em compartilhar fotos e textos com a família. Além disso, fez uma integração incrível com o Beeper, criando uma agenda de contatos (um mini-CRM) que o lembrava de manter contato com os amigos.
  • O meu caso de uso: sentia a necessidade de um hub central para integrar várias inteligências artificiais. Muitas vezes, ao cancelar a assinatura de um serviço de IA, perdemos todo o histórico das conversas. Com o Personal WP, eu passei a ter propriedade desses dados, armazenando meus chats localmente.

Também testamos ferramentas como o AI Assistant, em que você simplesmente insere uma chave de API e cria novas aplicações ao conversar com o chat. Houve até uma pequena confusão inicial quanto a chamarmos essas soluções de “Apps”, mas a verdade é que esses “Apps” são, na essência, plugins que rodam localmente para atender às necessidades específicas do usuário.

A aprovação de Matt Mullenweg

O ponto crítico e mais empolgante do processo foi apresentar o projeto ao Matt Mullenweg. O Alex apresentou o projeto e o resultado foi muito legal.

Ele comprou a ideia imediatamente. O que mais brilhou aos olhos foi o poder de ter o WordPress rodando em qualquer lugar. Não depender de uma infraestrutura online, não precisar de hospedagem; simplesmente deixar o software viver por si só, de forma independente, na máquina de quem o utiliza.

Com o sinal verde, decidimos lançar o produto, agora oficialmente batizado de My WordPress.

Mas houve um detalhe engraçado nos bastidores: o Alex Kirk, um dos principais criadores do projeto, entrou em seu período sabático bem na reta final! Na Automattic, após 5 anos, temos o benefício de tirar 3 meses de sabático para desconectar por completo.

É excelente para a saúde mental e essencial em uma empresa tão dinâmica. Então, enquanto o Alex recarregava as energias offline, o projeto que ele ajudou a construir ganhava o mundo. Foi um pouco difícil acompanhar o lançamento, pois estava envolvido em outros projetos paralelos.

Daí, foi a parte do Brandon Payton de coordenar o lançamento e gerenciar o time na ausência do Alex Kirk, criando-se o post de divulgação. Confeço que não esperava essa tração do projeto nos primeiros dias. Mas vários portais de notícias cobriram o lançamento e trouxeram a atenção da comunidade ao projeto.

Lançando um projeto de larga escala: 7 pessoas e milhares de usuários

Gostaria de abrir um parêntese sobre o sentimento de lançar algo dessa magnitude. O WordPress é uma plataforma de adoção em massa, mas o time por trás do ecossistema do Playground é surpreendentemente enxuto: somos apenas sete pessoas.

Essa pequena equipe é responsável pelo próprio WordPress Playground, pela CLI, pelas bibliotecas do PHP WASM, pelas infraestruturas de teste para o Core do WP e o Gutenberg, além de novos recursos que estamos construindo (como o servidor MCP).

O ritmo do projeto é frenético; em um mês trabalhando nele, várias coisas já aconteceram. Durante o lançamento do My WordPress, já estávamos pensando em outras soluções para a plataforma, como o WordPress 7.0. Porém, quando você lança um projeto para a comunidade global, a adoção é tão rápida que casos de uso até então invisíveis começam a surgir na primeira hora.

Um exemplo foi um problema relacionado aos Service Workers no iOS. Se alguém abrisse a aplicação via Web View, a funcionalidade quebrava. Parecia um erro fatal. Algo que só descobrimos com os usuários que tentavam acessar a aplicação via posts no linkedin ou no X, via iOS app.

Tivemos que parar tudo o que estávamos fazendo e focar totalmente em remediar e corrigir esse bug. Mas isso serviu para implementar uma série de melhorias.

Lidar com o feedback da comunidade nesse momento também exige maturidade; a comunidade do WordPress é muito participativa e a contribuição ao projeto traz uma proximidade maior com os contribuidores.

Confeço: esse foi meu primeiro grande lançamento e ver alguns canais fazendo reviews quase negativos sobre a ferramenta dói um pouco, mas é um grande aprendizado. Se uma pessoa não entende o produto facilmente, significa que a UI dá brecha para má interpretação.

No meio dos feedbacks, vimos de tudo:

  • Pessoas que não entenderam o propósito do projeto de imediato.
  • Pessoas que trouxeram críticas extremamente válidas e construtivas, o que é ouro puro para ajudar a melhorar a plataforma.
  • E, claro, pessoas que apenas criticaram por criticar.

Nosso papel foi extrair o essencial, aplicar as correções críticas dessa primeira leva e garantir que a ferramenta estivesse estável.

My WordPress vs. Playground: Qual a diferença?

O lançamento foi um sucesso, sendo amplamente coberto e abraçado pela comunidade. Mas, muitas vezes, a repostagem de notícias vira um verdadeiro “telefone sem fio”.

Curiosamente, muitos recursos celebrados no My WordPress já existiam no Playground, uma ferramenta lançada em dezembro de 2022, mas serviu para iluminar o poder que já tínhamos em mãos.

Mas para deixar claro de uma vez por todas:

  • Playground é um ambiente de testes, desenvolvimento e aprendizado. Sua essência é ser temporário (embora você possa salvar instâncias, se quiser).
  • My WordPress é uma instância local, voltada ao uso pessoal e utilitário. Ele foi feito para persistir, para ser o seu hub privado de anotações, ferramentas, apps e dados.

Isso é só o começo

Ver o My WordPress ganhar vida e ser tão bem recebido é recompensador. Mas é importante lembrar: este é um projeto open source.

A ferramenta está aberta a todos. O feedback, as ideias e a participação da comunidade são o que ditará o futuro desse novo hub. Se você ainda não testou, acesse o endereço my.wordpress.net e crie seus próprios utilitários locais e junte-se a nós na construção do que o My WordPress pode vir a ser no repositório do projeto.

Atualização: o projeto segue ativo no changelog oficial do Playground (onde aparece como “Personal Playground”), hospedado em my.wordpress.net. Como toda a evolução acontece em aberto, a melhor fonte para acompanhar é o changelog do WordPress Playground.


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