Foram 3 anos intensos, desafiadores e incrivelmente gratificantes. Quando cheguei a Lagos, em Portugal, encontrei uma cidade belíssima com cerca de 40 mil habitantes, mas com um detalhe que me inquietava: não havia nenhum movimento voltado para a área de tecnologia.

Como alguém que respira tecnologia e inovação, eu sentia muita falta daquele espaço clássico de compartilhamento, onde profissionais se reúnem para aprender, trocar ideias e trazer visões externas sobre o mercado.
O Desafio Inicial e a Desconfiança
Para quem vive em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Berlim, Dublin, Londres ou nos Estados Unidos, a cultura de meetups é o padrão. Desenvolvedores se reúnem, compartilham conhecimento e aprendem uns com os outros naturalmente.

No entanto, quando comecei a contatar espaços aqui em Lagos para fazer o mesmo, a primeira reação foi de desconfiança. As pessoas estranhavam o fato de eu querer fazer tudo de graça. Oferecer um espaço para as pessoas se reunirem, falarem sobre tecnologia e ensinarem umas às outras, sem cobrar nada por isso, parecia algo fora do comum.
O grande desafio era o clássico dilema de Tostines (ou do ovo e da galinha): como criar um evento em uma cidade que não tem um hub de tecnologia? A resposta, por mais simples que pareça, foi: criando um.

Era preciso dar o passo inicial, plantar a semente e provar que existia interesse e demanda por esse tipo de conteúdo e conexão.
Parcerias que Fizeram a Diferença
O primeiro ano foi extremamente desafiador, mas tive a sorte de contar com parceiros fundamentais que compraram a ideia. Foi um aprendizado mútuo e só foi possível graças ao apoio da Câmara Municipal de Lagos (um agradecimento especial à vereadora Sandra), do Diogo (Colagos), da Marta Diniz (Fábrica do Empreendedor) e, claro, da minha co-organizadora, Bruna de Lemos.
Ver esse grupo saindo do papel e se tornando uma estratégia real foi incrível.
DevFest e o Impacto na Comunidade
O grande marco dessa jornada foi a organização do nosso primeiro DevFest. Conseguimos reunir 80 pessoas no dia principal e mais 50 pessoas em um evento paralelo, voltado exclusivamente para mulheres, na Fábrica do Empreendedor.
Essa semente gerou uma recorrência. Criamos um calendário constante de eventos que movimentou a cidade e atraiu talentos. Para se ter uma ideia do impacto, trouxemos palestrantes de mais de 10 países diferentes para compartilhar conhecimento em Lagos.

Nesses três anos, aprendi muito sobre organização, me conectei profundamente com a comunidade local e passei a me sentir verdadeiramente acolhido. Comecei a reconhecer rostos familiares nas ruas, o que é de um valor inestimável. A cidade me deu muito em troca.
Nada disso, vale ressaltar, seria possível sem o apoio contínuo do Google, que esteve ao nosso lado como patrocinador principal durante todos esses anos nesse trabalho que é 100% voluntário.
Passando o Bastão: O Início de um Novo Ciclo
Hoje, decido fechar esta trilogia. Sinto que a minha contribuição foi válida, mas acredito fortemente na importância da rotatividade.
A comunidade não pertence a uma pessoa só; ela pertence à própria comunidade. Nós, organizadores, somos apenas potencializadores de energia. Nosso papel é organizar e redirecionar.

Por isso, estou passando o bastão para o Luís, que agora assume a responsabilidade de liderar a equipe. Dar esse passo atrás não é um “adeus” definitivo, mas sim um movimento estratégico e necessário para permitir que novos líderes e gerentes de comunidade surjam, trazendo novas ideias e iniciando um novo ciclo.
A semente foi plantada, enraizou e agora continuará a crescer. Muito obrigado, Lagos! E sucesso, Luís e equipe! ????

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