Recentemente, assisti a uma live da Automattic com Antonio Sejas e Juanma Garrido. Os dois engenheiros estão na linha de frente do desenvolvimento do WordPress Studio com IA e mostraram, na prática, como o WordPress se reinventa no paradigma dos agentes.
Em mais de uma hora de conversa com dicas valiosas. Por isso, decidi resumir aqui os pontos que mais me chamaram a atenção. Além disso, trago algumas dicas para você tirar o melhor proveito dessas ferramentas no dia a dia.
O paradigma mudou (de novo)
Como o Juanma colocou bem, hoje o desenvolvimento web acontece “conversando com uma máquina”. Ou seja, você descreve, ajusta e refina, e a IA gera o código, o revisa e até questiona o próprio código. Para quem trabalha com WordPress, isso é especialmente poderoso. Afinal, a plataforma sustenta 42% da web, ou seja, a base instalada que precisa evoluir é gigantesca.
Por outro lado, segue a primeira dica que veio direto do Antonio: não case com uma única ferramenta de IA. De fato, os modelos da Anthropic, da OpenAI e do Google evoluem mês a mês. Portanto, assinar um plano anual hoje é, na prática, apostar contra a velocidade do mercado. Em resumo, mantenha-se flexível.
Onde cada peça encaixa
Um dos momentos mais didáticos da live ocorreu quando os dois desenharam, em tempo real, um mapa mental das ferramentas. A seguir, reproduzo o esquema:
Lado local (sua máquina):
- WordPress Studio — aplicação desktop (Mac, Windows, Linux) para criar sites WordPress locais sem precisar instalar PHP, MySQL ou Apache.
- Studio CLI — versão de terminal do Studio. Ou seja, tudo o que você faz na interface dá para fazer por comando.
- Skills — cápsulas de conhecimento em Markdown que dão “expertise” ao agente.
- Studio Code, Claude Code e Codex — agentes de IA que rodam no terminal.
Lado produção:
- MCP (Model Context Protocol) — protocolo que conecta seu agente a serviços externos como WordPress.com, Linear, Slack e GitHub.
- Pull, Push e Sync — comandos para trazer um site de produção para o local, ou subir mudanças locais para a produção.
A grande sacada é que o agente de IA passa a ser o centro de operações. Por exemplo, você não precisa mais abrir a interface gráfica para cada tarefa. Em vez disso, o agente executa comandos, edita arquivos, mexe na base de dados e publica em produção, tudo por conversa.
Studio Code: o primo especializado do Claude Code
O Studio Code é o agente de código que a Automattic está desenvolvendo. Ele tem uma vantagem clara sobre alternativas genéricas: vem pré-conectado ao WordPress Studio e à infraestrutura do WordPress.com.
Na prática, isso significa que você pode digitar no terminal:
studio code
E começar uma conversa do tipo:
- “Baixa o site de produção pro local onde eu quero ajustar uma página.”
- “Cria um preview e me devolve o link pra eu mandar pro cliente.”
- “Sobe esse tema novo pra produção, mas preserva o banco de dados.”
Tudo isso sem ler nenhum manual. Em outras palavras, o agente entende as intenções, escolhe as ferramentas certas por meio do MCP e executa.
Como começar com o Studio Code
- Primeiramente, instale o WordPress Studio (gratuito) caso não queira fazer a instalação com Node.js ou rodar o comando
npm i -g wp-studio@latest. - Em seguida, crie uma conta gratuita no WordPress.com. Ela libera tokens de IA grátis para usar o agente.
- Depois, no terminal, dentro do diretório do seu site, rode
studio code. - Por fim, selecione um site local (seta para baixo) ou um site de produção (seta para a direita).
Skills: o “novo código” do WordPress
Para mim, esse foi o conceito mais subestimado da live. De fato, o Antonio definiu Skills de uma forma que ficou na minha cabeça:
“As Skills são o novo código. Você não precisa mais escrever PHP ou Python para automatizar um fluxo. Você escreve em linguagem natural um arquivo Markdown e o agente executa.”
Uma Skill é, basicamente, uma receita de passos que o agente segue quando uma tarefa específica aparece. Além disso, o Studio já vem com Skills oficiais para:
- Block Development — criação de blocos Gutenberg.
- Block Themes — FSE,
theme.jsone templates. - Plugin Development — hooks, segurança e capabilities.
- WP-CLI & Ops — automação via terminal.
- REST API — endpoints customizados.
Por fim, você ativa todas com um clique em Settings → Skills no Studio.

Dica avançada: crie suas próprias Skills
O verdadeiro poder vem quando você encapsula seu próprio fluxo repetitivo. Por exemplo, se toda semana você cria sites de demonstração para clientes seguindo o mesmo blueprint, transforme essa rotina em uma Skill. Dessa forma, em vez de uma conversa de uma hora, você invoca /criar-demo-cliente e pronto.
E uma dica de produtividade que o Juanma soltou: ele mantém um repositório Git com suas Skills pessoais. Em seguida, usa symlinks para conectar essa pasta aos projetos. Assim, atualizar a Skill em um lugar atualiza em todos os projetos automaticamente.
MCP: o USB da IA
Se as Skills dão expertise, o MCP dá conectividade. Ou seja, ele é como um “USB universal” que conecta seu agente a qualquer serviço externo: WordPress.com, Slack, Linear, GitHub, Teams, e por aí vai.
A seguir, casos de uso reais que apareceram na live:
- Ler tickets do Linear, copiar o ID e pedir para o agente implementar a tarefa.
- Resumir uma thread do Slack e publicar como post no blog via MCP do WordPress.com.
- Capturar um erro em produção, baixar o site para local com Pull, corrigir e fazer Push.
Em resumo, a combinação Skills + MCP transforma o agente de código em um verdadeiro centro de operações.
Dicas para tirar o máximo do WordPress Studio com IA
A seguir, compilo as dicas que os dois soltaram durante a live (mais algumas minhas). No meu ponto de vista, é o que considero essencial:
1. Cuide do contexto como se fosse memória RAM
O Antonio comparou a janela de contexto do modelo com a memória RAM do computador. Por exemplo, se o CLAUDE.md é gigante e referencia mil arquivos, tudo isso é carregado a cada sessão e consome tokens. Portanto, mantenha o arquivo de contexto enxuto. Em seguida, deixe o agente carregar conhecimento sob demanda via Skills.
2. Não tente fazer cliques — descreva
Modelos de IA são muito mais eficientes executando comandos no terminal do que movendo o mouse. Por isso, sempre que possível, descreva a intenção em vez de pedir cliques. Por exemplo, “mude o background do tema para preto com letras brancas” funciona melhor que “abra o painel, vá em Appearance, clique em Editor…”.
3. Use Preview Sites para feedback de cliente
Os Preview Sites do WordPress.com são gratuitos, efêmeros (duram 7 dias após a última atualização) e geram uma URL wp.build única. Por isso, em vez de subir mudanças para staging só para mostrar para um cliente, crie um preview a partir do seu local. O comando do Studio Code é simples: basta dizer “cria um preview site”.
4. Cuidado com Push em e-commerce
Quando você fizer push de local para produção, o Studio pergunta se quer subir arquivos, banco de dados, ou ambos. Em e-commerce, jamais sobreescreva o banco de dados sem antes salvar os pedidos. Em vez disso, selecione apenas a pasta de tema ou plugin que mudou.
5. Reduza tokens com Skills criativas
Existe uma Skill comunitária chamada Caveman que faz o agente responder no estilo “homem das cavernas” — frases curtas, sem rodeios. Parece uma piada. No entanto, reduz drasticamente o consumo de tokens em sessões longas. Vale o experimento.
6. Aprenda no manual antes de automatizar
Esse aqui é o meu favorito do Antonio:
“Primeiro a gente aprende a andar, depois aprende a automatizar.”
Ou seja, antes de criar fluxos autônomos com agentes em background, use as ferramentas no modo manual até ter intuição do que funciona e do que falha.
Conclusão
A combinação WordPress Studio + Studio Code + Skills + MCP representa, na minha visão, o setup mais completo hoje para quem quer desenvolver WordPress aproveitando IA de verdade. Além disso, esse stack evita que você fique refém de uma única ferramenta proprietária, preserva a portabilidade dos dados e não exige que você reaprenda o ecossistema do zero.
Como o Juanma resumiu bem: é como uma bicicleta elétrica. Cada pedalada que você dá rende dez vezes mais. Mas continua sendo você dirigindo.
Em resumo, se você ainda não testou o WordPress Studio com IA, comece por ele. É grátis, é open source e, em cinco minutos, você tem um agente de IA conversando com seu site WordPress local.
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