Eu mantenho este blog desde agosto de 2008. Historicamente, ele sempre foi a minha ferramenta de aprendizado: um espaço onde eu pesquisava, realizava testes sobre assuntos específicos e documentava para ajudar outras pessoas (e a mim mesmo).
Há também uma forte sinergia com meu canal no YouTube, onde eu transformava vídeos em posts e vice-versa.
Porém, recentemente, o blog acabou ficando um pouco de lado. Para ser exato, eu havia acumulado 160 posts em rascunho. Eu escrevia as ideias e criava os scripts, mas não os finalizava. Muito deste conteúdo servia de base para meus vídeos, que eu postava, mas eu não finalizava os posts.
Para resolver isso e recuperar o hábito de escrever, decidi criar um desafio pessoal: publicar um post por dia durante 30 dias.
Neste artigo, vou detalhar como estruturei esse processo, como usei a Inteligência Artificial como minha assistente (e não como minha substituta), os problemas que enfrentei e os resultados surpreendentes que obtive, incluindo um crescimento de mais de 190% na minha audiência.
Possivelmente você veio a este post porque leu o termo do momento: “automatizar”. Mas nem tudo é mágico. Como criador de conteúdo, você precisa incorporar sua identidade e sua marca ao conteúdo. Gerar 100 posts genêricos não vai levar você a lugar nenhum.
1. A Limpeza e a Preparação do Fluxo de Trabalho
Antes de começar a publicar, precisei revisar aqueles 160 rascunhos. Fiz uma verdadeira “faxina”:
- Descartei posts sobre tecnologias que já não faziam sentido ou que ficaram obsoletas.
- Separei os posts “temporais” (aqueles que performam muito bem em uma época específica e depois perdem o interesse).
- Foquei nos conteúdos “atemporais” (evergreen), que permaneceriam relevantes a longo prazo.

Após essa filtragem, fiquei com cerca de 120 posts para selecionar e trabalhar durante o desafio. Depois das duas primeiras semanas, esse número caiu para 80 posts.
Para centralizar tudo e reduzir o atrito na hora de escrever, mudei meu fluxo. Passei a escrever em formato Markdown em um repositório local, sincronizando tudo com o GitHub, isso também ajudou a agilizar o processo junto com ferramentas como Gemini CLI e Claude Code.
Agent Skills (habilidades de agentes de IA) tiveram uma grande participação neste desafio. Na primeira Agent Skills que criei, eu conseguia fazer o fetch (busca) do blog e escolher qual post trabalhar, transformando o conteúdo em Gutenberg em Markdown.
2. A IA como Colaboradora: Delegando Tarefas Chatas
Eu sabia que seria impossível manter o ritmo de um post diário; a criação de posts envolve diversas etapas: escrita, revisão, otimização para seo e criação de imagens complementares. E o fato de ainda ter que manter meu trabalho e todas as viagens no meio do caminho.

A IA não entrou como uma “substituta” para escrever por mim, mas como uma colaboradora nas tarefas que me tomavam tempo e energia. Com isso desenvolvi Agent Skills específicas para três áreas do meu blog:
A. Geração de Imagens e Thumbnails
Eu sempre me incomodei com imagens que têm aquela “cara de IA” genérica. Para resolver isso, fiz diversas interações com o Gemini CLI e pedi para ele criar um script em Python, para criar imagens com minhas fotos e outras sem.
Cheguei a um esquema de geração de imagens que finalmente me deixou feliz, pois consegui dar um pouco da minha personalidade às thumbnails. As imagens eram criadas com base no conteúdo dos posts. Além disso, passei a gerar imagens de apoio ao texto, o que melhorou muito a narrativa visual.
B. Otimização de SEO e Legibilidade
Não estou falando apenas de SEO técnico, mas do fluxo do texto. Sempre levou muito tempo ajustar a legibilidade e a narrativa para os motores de busca. Consegui automatizar esse processo traduzindo as recomendações do plugin Yoast SEO para um formato de Agent Skill, otimizando a leitura de forma automática.
Usei o Gemini CLI a maior parte do tempo, por conta de estar desenvolvendo o curso de Gemini CLI e queria ter mais vivência com a ferramenta, mas, visivelmente, o Claude Code faz um melhor trabalho do que o Gemini CLI. Tarefas como SEO, sem perguntar, o Claude Code gerava sugestões de títulos e metadescrições para meus posts.
C. Transcrição e Aproveitamento de Vídeos
A última automação foi transformar as transcrições dos meus vídeos no YouTube em posts de blog. Eu usava a transcrição bruta como base para que o LLM gerasse novos conteúdos ou identificasse oportunidades.
Além disso, peguei scripts de vídeos que eu já tinha publicado (mas que só existiam em tópicos) e pedi para a IA transformá-los em posts completos. Depois disso, criei minha última skill transcript para o post. Fiz separado; em alguns momentos, queria apenas armazenar a transcrição sem gerar um post para usar como base para outros conteúdos.
3. Os Perigos da IA: Quando as coisas dão errado
Apesar de serem ferramentas incríveis para resumir e reestruturar, os modelos LLM exigem muita atenção, principalmente em duas situações que vivenciei neste desafio:
- Conteúdo Novo e Lançamentos: A IA tem muito trabalho para falar sobre tecnologias que acabaram de ser lançadas ou que ainda vão ser. Como ela não detém a informação mais recente, sua tendência é “traduzir” o texto usando dados de fontes antigas que já existem.
- A Perda da “Persona”: É crucial aplicar a sua persona e o seu estilo de leitura ao gerar textos. Nos dias do desafio, quando eu estava mais cansado ou viajando, acabei deixando a IA “tomar conta” um pouco mais. O resultado? O conteúdo perdeu influência humana. Tive posts com erros, referências a páginas inexistentes (alucinações) e conclusões mal formuladas.
4. Os Resultados: O que os números me mostraram
Publicar diariamente me deu uma amostra fantástica para entender o que minha audiência realmente quer. E os resultados foram muito além das minhas expectativas. Por conta do blog estar abandonado por muito tempo, não esperava que o conteúdo engajasse, mas o resultado foi positivo.
A. Descoberta de Nicho
Eu vinha publicando sobre WordPress, CSS e performance. Mas, durante o desafio, notei claramente que os posts sobre Inteligência Artificial foram os que melhor performaram. Além disso, percebi um padrão de sucesso: os melhores artigos nasceram de perguntas feitas por usuários lá no meu canal do YouTube.
B. Explosão de Tráfego e o Efeito Google Discover
No geral, minha audiência aumentou em mais de 209% (mais do que o dobro!). Mas o grande destaque foi um post específico que viralizou e foi parar no Google Discover. Sozinho, ele trouxe 1.400 novos usuários para o meu site, representando 54% de toda a minha audiência no período.

Era um post informativo, com uma tabela de dados que comparava informações e apresentava referências relevantes. Já havia criado conteúdo que havia sido listado no Google Discover, mas há muito tempo.
C. A Métrica de Vaidade vs. Realidade (Google Search Console)
Analisando o Google Search Console, tive dados muito interessantes:
- Aumento de 100% nas impressões: Meu blog apareceu o dobro de vezes nas buscas.
- Aumento de 60% nos Cliques.
Onde estava o problema? Minha taxa de clique (CTR) caiu. Como tive o dobro de exposição, mas os cliques não acompanharam na mesma proporção, percebi que os títulos e as descrições gerados (muitas vezes com ajuda da IA) não eram suficientemente atraentes para o leitor humano clicar.
Conclusão: Pratique o Músculo da Escrita
Este desafio foi extremamente enriquecedor. Ele me forçou a encontrar problemas que antes eu não via, me fez melhorar conteúdos antigos e, o mais importante, me fez criar um hábito.
O conteúdo 100% escrito por humanos está desaparecendo da internet. Precisamos de mais pessoas publicando, escrevendo e compartilhando suas experiências reais.
Se você tem um blog ou quer começar a escrever, meu conselho é: faça um desafio menor. Você não precisa começar com um post por dia. Tente publicar um ou dois posts por semana. Praticar esse “músculo da escrita” e do raciocínio fará uma enorme diferença no seu fluxo de trabalho e no seu desenvolvimento profissional.
E você, já tentou usar ferramentas de IA para otimizar sua rotina sem perder a sua essência? Deixe seu comentário e vamos trocar uma ideia!

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